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quarta-feira, julho 05, 2006

'Ainda vai tornar-se um imenso Portugal'


Há 2500 anos Lao-Tsé já advertira: "Quem fica na ponta dos dedos não se conserva de pé durante muito tempo. Claro que todos têm o direito de ser estúpidos, mas alguns abusam! Não adiantaram as advertências, os avisos, as críticas - eram tudo intrigas de oposição. A seleção brasileira deixou a bola escapar. O capitão do time diz que aprendeu uma lição: nem sempre o melhor vence. Claro que vence. Por isso perdemos.

Os italianos gostam de dizer que depois que o barco afunda, todos tinham um plano para salvá-lo. Os bodes expiatórios da estação são aqueles jogadores que pecaram por estar, nas palavras de um jornalista televisivo, "do lado errado dos trinta anos". Zinedine Zidane tem 36.

Na enquete da FolhaOnline a maioria dos internautas achava que a final seria disputada por Alemanha e Portugal. Erraram. E para os brasileiros torcer para a seleção de Luiz Felipe Scolari depois da desclassificação da Guarda Suíça (um eufemismo que Milly Lacombe criou para a seleção brasileira, antes que Jô Soares a classificasse "seleção apátrida) é automático. Além de Filipão, só mesmo alguém muito distante da realidade (um petista?) negaria os vínculos que nos ligam à terrinha, sejam parentais, culturais, ou históricos. E é daí que nasceu a confusão.

Para a intelligentsia torcer para Portugal é mais um vestígio de uma certa "vassalagem cultural". Mais burlesco que isso, só mesmo Juca Kfouri alegando uma articulação da arbitragem para favorecer times europeus. Ou seja, a culpa não é das meias de Roberto Carlos, ou a indiferença de Carlos Alberto Parreira, ou o sobrepeso de Ronaldo. Viva a teoria da conspiração!

O rancor que o Politburo dedica à terrinha está fundado na colonização. Vitimista como ela só, a esquerda culpa Cabral por todos os males que abundam em Terra Brasilis. Não importa que tenham saído daqui há 183 anos, e também ninguém alude aos 9 golpes de Estado e às 8 diferentes moedas adotadas de lá pra cá. É este o freudianismo mais ridículo: a culpa de tudo cabe sempre aos pais.

Foi Lima Barreto quem melhor debochou dos nacionalistas românticos. Em Triste Fim de Policarpo Quaresma o personagem-título chega ao cúmulo de enviar um projeto ao Congresso Nacional que torna o tupi-guarani a língua oficial do Brasil. Nossos intelectuais politicamente correto o incorporam melhor do que ninguém. Decerto imaginam que estaríamos melhores se sentados ao redor de uma fogueira, morando em casas de palha, e cozinhando em panelas de barro.

Em 2004 a estátua de Cristóvão Colombo foi derrubada em Caracas. O Presidente Venezuelano, Señor Hugo Chávez, chamou o explorador espanhol de "o maior genocida de todos os tempos". Nos delírios que sofrem os acometidos pela doença do esquerdismo os colonizadores dizimaram civilizações avançadíssimas, como os astecas, os maias, e os incas, que teriam deixado os exploradores "impressionados". Os incas ainda praticavam sacrifícios humanos, acreditando que isso acabaria com a raiva do El Niño. A religião maia era centrada na astrologia! E os três eram, admitam, imperialistas.

Outra versão é aquela que afirma que seríamos desenvolvidos se ao invés de colonizados por Portugal tivéssemos como metrópole a Inglaterra. Montam um quadro onde estão os EUA, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia. E escondem a Índia, o Sudão, o Egito.

Há alguns meses um blogue criticou uma nota publicada em outro blogue, o do jornalista do Daily Telegraph David Blair. Ali Mr Blair lamenta os resultados de quatro décadas de independência da África:

Under the British, Tanzania had been Africa's largest exporter of food. By the late 1970s, Tanzania was a collapsing, chaotic shell, where the shops stocked
almost nothing and even toothpaste was virtually unobtainable.


A independência - provavelmente nos diriam - não é um simples ato de ruptura política. Não, é um processo que só será bem sucedido quando formos completamente livres politicamente, economicamente, culturalmente, futebolisticamente, tecnologicamente, militarmente. E isso só será possível por meio de uma revolução. Sim!, bolivariana. Como Señor Chávez na Venezuela e Señor Morales na Bolívia. Deve ser por isso que os livros escolares do MST ensinam a Independência do Brasil escrita entre irônicas aspas.

Quanto a mim, a quem a palavra "revolução" atiça os instintos, serei condenado por lesa-pátria, inimigo do povo. Porque quando vierem me falar sobre os índios massacrados, a destruição da cultura nativa, a cristianização dos gentios, estarei ouvindo Madredeus, lendo Camões e Pessoa do original e dizendo: "É... Valeu a pena"!

Gilles Gomes de Araújo Ferreira

O companheiro Gilles está n'O Púlpito Conservador.

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