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domingo, julho 02, 2006

Direitona, grande capital, Primeira Leitura etc

É coisa engraçadíssima: a direita é o grande capital, mas o Instituto Liberal de São Paulo fechou por falta de verbas e o do Rio de Janeiro funciona em condições precárias, enquanto o MST bóia, inerte, num mar morto de dinheiro infindável. A direita é o grande capital, mas Olavo de Carvalho, para ter os meios de falar contra os esquerdistas a uns americanos, precisa pedir dinheiro aos leitores. A direita é o grande capital, mas a única revista com um mínimo viés direitista em anos, Primeira Leitura, fechou as portas por falta de anunciantes. Deve ser algo assim como ar, esse grande capital, que, embora ninguém veja ou note a existência, está presente em todos os lugares.

A tiragem de Primeira Leitura não era muito diferente da tiragem da Caros Amigos. A tiragem de Primeira Leitura não era muito diferente da tiragem da Carta Capital. O site de Primeira Leitura ganhava com vantagem enorme, em número de acessos, dos sites respectivos daquelas duas revistas. Por que aquelas duas revistas esquerdistas permanecem erguidas enquanto Primeira Leitura fecha por falta de anunciantes?

Num excelente artigo no Mídia Sem Máscara o Sr. João Luiz Mauad mostrou que não há liberdade de imprensa de fato no Brasil, pois que raríssimos são os veículos que conseguem sobreviver sem a publicidade do Leviatã estatal. Todavia, esse não parece ser o único motivo. Numa entrevista à Revista Imprensa, Reinaldo Azevedo declara: logo que a Folha de São Paulo tachou Primeira Leitura de “direitista”, a revista perdeu um grande contrato publicitário. Eis aí: as próprias empresas capitalistas não apóiam a corrente ideológica que defende o capitalismo.

Dispensam-se os fatos ulteriores; a hegemonia esquerdista no Brasil é total. Os próprios capitalistas têm medo de não digo defender, mas ver seu nome ligado a quem defende o capitalismo. Hegemonia total. Quem quer que a negue, se não for safado, é cego. O PFL encarna slogans esquerdistas, não há grande empresa capitalista sem propaganda na televisão sustentando algum dogma esquerdista. É Lênin redivivo: a burguesia tece a corda com que será enforcada.

É algo tão óbvio, tão explícito, tão transbordante, que provoca real desânimo, quase desistência. Argumentar para quê, lutar contra por quê? Sinto-me tentando, desesperadamente, provar que 2+2 = 4 para alguém que teima em dizer que 2+2 = 5 e não muda de opinião em hipótese alguma. Esforço inútil. Diogo Mainardi deu a imagem perfeita. O Coiote usa de todos os artifícios da inteligência humana mas, embora completo imbecil, o Papa Léguas vence sempre. Lembro-me de Francis:

“A sensação de vácuo, de falta de receptividade. Quanta vezes escrevendo, nesses últimos 37 anos, dizendo o que me parece o óbvio ululante, não fui tomado por uma tentação irresistível de silenciar, de cair fora, porque vergado na futilidade do que escrevo, pelo fato de que quem concorda comigo já sabe do que estou falando e o resto nem saberá porque vive na indiferença primitiva, minimalista, da nossa sociedade, ou está de tal maneira achatado pelo trabalho braçal, que enfrenta sem ter o preparo físico de um povo sadio, que nem sequer sonha que há perspectiva de uma vida melhor. “

Estes momentos são sempre uma desforra da memória, dama perversa. Lembro-me do nazismo. Temos dedos suficientes nas mãos para contar quantos discursos sobre Hitler e a Alemanha e o nazismo e o holocausto e a iminência da Segunda Guerra e mais outras pessoas e fatos, com dados abundantes, começaram por “recuso acreditar...!”, como recusam os cientistas políticos e palpiteiros de toda espécie, hoje?

Lembro-me dos versos de Camões, última lembrança e último desejo, desejo atendido à maioria dos brasileiros:

“O poeta Simônides, falando
C’o capitão Temístocles, um dia,
Em cousas de ciência praticando,

Uma arte singular lhe prometia,
Que então compunha, com que lhe ensinasse
A se lembrar de tudo o que fazia;

Onde tão sutis regras lhe mostrasse
Que nunca lhe passassem da memória
Em nenhum tempo as cousas que passasse.

Bem merecia, certo, fama e glória
Quem dava regra contra o esquecimento
Que enterra em si qualquer antiga história.

Mas o capitão claro, cujo intento
Bem diferente estava, porque havia
As passadas lembranças por tormento,

- Ó ilustre Simônides! – dizia –
Pois tanto em teu engenho te confias
Que mostras à memória nova via,

Se me desses uma arte que em meus dias
Me não lembrasse nada do passado,
Oh! quanto melhor obra me farias!”


Mas não cuidemos de memória; Primeira Leitura só morreu porque chegou a nascer, o que já é significativo, e o evangelho de São João conta-nos que “Quem não chegar a nascer outra vez, não poderá ver o reino de Deus”. A luta continua, e nós todos dizemos melhor com Lichtenberg:

“Não posso vivificar a matéria morta; mas posso fazer soar a trombeta do despertar para ver se alguma coisa se move ainda entre os mortos no campo de batalha.”

P.S.: A propósito, o blog do Azevedo: http://blogdoreinaldoazevedo.blogspot.com/

Eduardo Levy

Retirado do Levypla.

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