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quarta-feira, agosto 23, 2006

A insustentável leveza da paz


Frágil, precária, incerta, violada, mas paz. A resolução 1701 da ONU, com todas as suas imperfeições e ambiguidades, deu aos inimigos libaneses, pelo menos, um pretexto para calar armas.

À medida que o 2.º, 3.º e 12.º batalhões do exército libanês atravessam a ponte Qasmieh, sobre o rio Litani, percebemos que as forças armadas do general Michael Suleiman, afinal, existem. E podem, pela primeira vez desde 1975, ambicionar o controlo integral do seu próprio país. No papel, o exército libanês tem cerca de 60 mil homens, mas o seu quadro orgânico está muito desguarnecido. A movimentação para o sul de um quarto dos efectivos teóricos é, assim, um ónus apreciável, mas mais complicada ainda é a missão.

Pouco tempo antes da incursão do Hezbollah, que levou a esta guerra, as forças especiais libanesas tinham ensaiado um exercécio antiterrorista, para o qual foram convidados todos os adidos militares em Beirute. Precisam agora de aplicar os seus conhecimentos técnicos, numa tarefa tão ou mais exigente: a manutenção do cessar-fogo, numa zona observada pelas unidades avançadas de Israel, e num complexo de 180 povoações onde o "Partido de Deus" tinha instalado os seus lança-foguetões.

Entretanto, continua o patótico peditório para a força internacional. Chegarão nepaleses, bengalis, malaios, indonésios, 200 franceses (muita parra, pouca uva), um contingente naval alemão, a ajuda aérea dos EUA e, espera-se, mais eficácia e músculo do que na UNIFIL.

Coragem política

Israel substituíra a imprecisa, mas cómoda, guerra aérea, por uma mais certa, mas custosa, operação terrestre. Depois, aceitou uma retirada rápida. Já deu a entender que todos os problemas em aberto (as quintas de Shebba, os prisioneiros, as zonas minadas) serão discutidos. O ministro da Defesa, Amir Peretz, sugeriu (para espanto de Washington) a chamada da Síria às conversações.

Os habituais críticos da política de Telavive deviam, neste momento, realçar a inteligência e a coragem do governo Olmert. Mas não o farão.

Raúl Castro diz que o irmão recupera, que não gosta da publicidade, que não há perigo de invasão, que a revolução está salva, que o povo é sereno. Para além do papaguear oficial, só muda o regime de Cuba, quando uma maioria substancial dos cubanos julgar lucrar com essa mudança.

O novo sistema operativo Windows foi já invadido por ciber-piratas, "hackers" e espiões. A situação é desesperada, mas não é grave.

Um miniconcílio da UE discutiu o "novo terrorismo". Falou em explosivos líquidos, segurança dos transportes, troca de informaçes, e... "a natureza do Islão europeu". Ou seja, ninharias e metafísica.

Nuno Rogeiro

Retirado do Correio da Manhã, 20 de Agosto de 2006.

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