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quarta-feira, agosto 02, 2006

Sindroma Vietname de Israel

Por trás da recusa dos EUA em apoiarem um cessar fogo na guerra Israel-Hezbollah encontra-se uma rígida realidade. Israel precisa de mais tempo para obter o seu objectivo estratégico: limpar o Líbano, o sul do Litani, dos combatentes do Hezbollah e dos dispositivos Katyusha. Um cessar fogo significaria uma vitória do Hezbollah.

Contudo, um dia depois de Israel ter perdido nove soldados e de 22 serem feridos numa emboscada nos arredores duma cidade que proclamou já ter sido tomada, o seu gabinete de guerra parece ter desistido de enviar o exército. Israel vai fiar-se no seu poderio aéreo e na artilharia para erradicar o Hezbollah, o que significa que Israel irá falhar.

E se a FDI não vai entrar, os Estados Unidos devem apoiar desde já um cessar fogo. Pois os interesses dos EUA encontram-se num risco crescente.

Os xiitas do sul do Líbano, afastados das vilas e cidades por 30.000 cápsulas da artilharia israelita e por centenas de bombas de precisão, estão a deslocar-se para o sul de Beirute. Estas pessoas podem vingar-se nos americanos pela luz verde que Bush deu a Israel na destruição da sua pátria e pelas mortes causadas aos seus amigos, vizinhos e familiares.

Dada a devastação efectuada pela campanha de choque de Israel, o desastre humanitário de cerca de 800.000 refugiados pode dar lugar a um desastre político: o colapso do Líbano ao estatuto de Estado falhado. O único sucesso brilhante da cruzada democrática de Bush no mundo árabe foi a Revolução dos Cedros, no Líbano.

Depois temos o risco do Iraque xiita, em solidariedade para com os seus correligionários do Líbano, se virar contra os americanos devido ao cheque em branco que Bush deu à força aérea israelita para esta fazer o que quisesse no Líbano. Os regimes árabes pró-americanos foram todos empurrados para a defensiva pelo seu povo, como demonstra a Al-Jazeera, 24 horas por dia, a carnificina incutida ao Líbano por uma Israel que utiliza armas e bombas dos EUA, como as bombas anti-bunker que lhe entregamos a semana passada.

Porque lançou Israel um ataque aéreo contra o Líbano em vez de um ataque por terra para enfrentar e eliminar o Hezbollah?

Talvez porque o chefe de gabinete israelita seja da força aérea. Talvez para enviar a mensagem de que isto é o que acontecerá às nações árabes que provoquem Israel. Mas quase de certeza também para evitar baixas que Israel sabia que resultariam duma guerra por terra no Líbano contra um Hezbollah bem entrincheirado, disposto a combater e a morrer.

A invasão do Líbano em 1982 foi o Vietname de Israel. O bombardeamento de Beirute durante semanas sem fim custou-lhe a sua superioridade moral, tal como a devastação televisionada do Líbano o fez nas últimas duas semanas. O massacre de homens, mulheres e crianças nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Chatilla foram a My Lai israelita, com uma diferença: a aprovação destas atrocidades falangistas aparentam ter vindo dos níveis de comando mais altos das FDI.

Depois de 18 anos a sangrar no Líbano, Israel desistiu e voltou para casa. Instalou-se a síndroma Vietname.

Contudo, como pode o Hezbollah e o seu líder Hassan Nasrallah afirmar que ganharam a guerra quando infligiram muito menos dano e sofreram muitas mais baixas? A resposta: por terem sobrevivido ao fim da guerra.

A guerrilha vence sempre que não perde. Há verdade neste lugar comum. E até hoje, Nasrallah recusou devolver os dois soldados israelitas capturados pelo Hezbollah. O Hezbollah disparou 1.500 projécteis contra Israel, o que nenhum exército árabe alguma vez fez. Continua a disparar 100 por dia, depois de duas semanas de bombardeamentos tanto aéreos como de artilharia contra as suas posições no sul do Líbano. O Hezbollah está visivelmente a conseguir concretizar o que nenhuma nação árabe alguma vez conseguiu fazer. Poucos se admiram por o seu prestígio estar a subir vertiginosamente nos mundo árabe e muçulmano. Para Israel, os dias de glória e esperança passaram à História.

Em 1967, Israel derrotou o Egipto, a Síria e a Jordânia em seis dias e tomou posse de enormes fatias do território desses três países. Em 1982 os israelitas chegaram às portas de Beirute em horas. Actualmente, estão relutantes em avançar 15 milhas, e Olmert menciona a ocupação de uma milha de território libanês a manter. Israel pede agora a intervenção de uma robusta força internacional, de preferência a OTAN, que ocupe o território libanês existente ao norte da sua fronteira e que, com o exército libanês, assegure que esta se mantenha livre do Hezbollah e dos Katyushas.

Mas o exército do Líbano, ele próprio de grande contingente xiita, contém o Hezbollah e, depois de Israel ter bombardeado e morto dezenas dos seus homens enquanto se encontravam nos seus aquartelamentos, não vai desviar o fogo de Israel. Nenhuma nação irá fazer por Israel aquilo que ela não conseguiu fazer por si mesma. Nenhuma força internacional vai desarmar o Hezbollah, a não ser que o Hezbollah aceite ser desarmado.

Israel, aparentemente, acredita que consegue derrotar e desarmar o Hezbollah com ataques aéreos e de artilharia, apesar de não o ter conseguido fazer durante 18 anos de ocupação. Está a enganar-se a si mesma. Ou Israel avança e elimina o Hezbollah à custa de centenas de mortes israelitas, ou será obrigada a negociar, tal como fez com a Síria de Assad em 1973 e com a OLP de Arafat em 1994. Se não consegues derrotar o teu inimigo, eventualmente terás que negociar com ele.

Patrick Buchanan

28 de Julho de 2006, retirado da The American Cause.

1 Comments:

At 9:14 da tarde, Blogger Pedro Ferreira, Visconde de Cunhaú said...

A posição dos EUA em relação ao conflito no Médio Oriente é lamentável! Deveriam usar a sua condição de super-potência para propagar a paz. Agora compraram uma guerra sem fim que ditará o final do seu Império...

 

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