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segunda-feira, outubro 02, 2006

O Brasil futurável


Se Lula da Silva continuar presidente do Brasil pode-se dizer que houve um plebiscito.

Há 56 anos, o filósofo político Bertrand de Jouvenel inventava a palavra ‘futurível’, para designar ‘o futuro possível’. Da mesma forma, podíamos criar o neologismo ‘futurável’, referente ao ‘futuro provável’.

Se se concretizar o ‘futurível’, isto é, se Lula da Silva continuar presidente do Brasil, pode dizer-se que houve um plebiscito de políticas sociais inevitáveis (como a bolsa familiar) e que as alegações de corrupção, tráfico de influências e nepotismo surgem apenas como cenário.

Mas o ‘futurível’ pode não ser ‘futurável’.

Numa situação em que a passagem à segunda volta se decide num universo de 6% de votantes, a recente descoberta dos 800 mil dólares sem dono pode ser mais do que um embaraço para o PT.

Os apanhados com esse excesso de dinheiro em notas, num país rico de gente pobre, podem não estar ligados pessoalmente a Lula, mas a sua conexão, demonstrada e confessada, com o partido no poder, obrigou o lugar-tenente presidencial, responsável pela campanha, a dizer adeus. E levou a TV Globo a colocar uma cadeira vazia, onde se devia sentar o presidente – candidato, para o último grande debate, onde milhões suspendem a descrença e ouvem as propostas dos políticos.

A velha piada, adaptada às situações, diz que Lula só perderá “se for encontrado na cama com um homem morto, ou uma mulher viva”. Mas há outras hipóteses. Segundo sabemos, a observação de Heloísa Helena, mulher viva, candidata do PSOL, insuspeita ex-trabalhista, que representa os presumíveis ‘traídos’ da Esquerda, calou fundo: “Lula tinha obrigação de descer do trono e vir dar explicações ao povo.” Claro que o povo pode preferir fechar os olhos, e comer um sapo vivo, a bem do ‘futurável’.

No fio da navalha

Pela primeira vez, a Índia acusa directamente o serviço secreto central do Paquistão, o ISI, do general Ashfaq Kiani, de ter pensado, patrocinado e organizado os sangrentos atentados de Bombaim, de há meses atrás. E o antigo chefe contra-terrorista indiano, B. Raman, chama às memórias de Pervez Musharraf (‘In the Line of Fire’) a versão paquistanesa do ‘Mein Kampf’. As palavras não seriam relevantes se os vizinhos não fossem atómicos, e se pelo meio não houvesse o inferno do Afeganistão.

Há quem parta sem dizer adeus, e quem diga adeus sem partir. Foi o que fez (outra vez) Tony Blair, no último congresso do Labour.

Ségolène Royal será a primeira presidente da França se conseguir exterminar as víboras do próprio partido e depois domar Sarkozy. É a grande novidade da ‘esquerda’ desde a Revolução.

Em poucas horas, Hugo Chávez retirou Sócrates dos cartazes de campanha e pediu desculpa. Quem diz que Portugal não tem força externa?



Nuno Rogeiro


Retirado do Correio da Manhã, 01 de Outubro de 2006.

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