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terça-feira, outubro 03, 2006

A vergonha


Você sabe que Israel realiza uma limpeza étnica no sul de Líbano? Israel ordenou que todos os aldeãos se retirassem, logo depois destrói suas casas e os assassina durante a fuga. Assim não há ninguém que volte e nenhum lugar para onde possam retornar, facilitando a ocupação do território, assim como Israel tem roubado a Palestina dos palestinos.

Você sabe que um terço dos civis libaneses assassinados pelos ataques de Israel contra bairros residenciais civis são meninos? É o que informa Jan Egeland, coordenador da ajuda de emergência da ONU. Diz que é impossível que a ajuda chegue aos feridos e aos que estão sepultados nas ruínas, porque os ataques aéreos israelenses destruíram todas as pontes e estradas.

Considerando a freqüência (quase permanente) com que Israel não atinge o Hezbolá somente os objetivos civis, poder-se ia imaginar que o fogo israelense talvez seja guiado por satélites dos E.U.A. e o sistema militar GPS de E.U.A. Não se surpreenda se os E.U.A. for cúmplice. Por que seria menos cruel o títere do que o titereiro?

Mas você não sabe destas coisas, porque os meios impressos e televisivos dos EUA não informam nada a respeito disso.

O presidente Bush está tão orgulhoso de si mesmo, você sabia que ele bloqueou todo esforço por deter a matança israelense de civis libaneses. Bush disse “NÃO” à ONU. Bush disse “NÃO” à União Européia. Bush disse “NÃO” ao premiê pró-norte-americano do Líbano, duas vezes. Bush se sente muito orgulhoso de sua firmeza. Os excessos israelenses o deleitam e ele adoraria poder fazer o mesmo no Iraque.

Você se torna um norte-americano orgulhoso com o fato de que “seu” presidente tenha dado a Israel luz verde para lançar bombas sobre colunas de aldeãos que fogem dos bombardeios israelenses, sobre comunidades residenciais na capital libanesa e por todo o país, contra hospitais, centrais elétricas, fábricas e lojas de alimentos, portos, aeroportos civis, pontes, estradas, sobre cada parte da infra-estrutura da qual depende a vida civilizada? Você é um norte-americano orgulhoso? Ou é um fantoche de Israel?

Em 20 de julho, “sua” Câmara de Representantes votou por 410 votos contra 8 a favor dos massivos crimes de guerra de Israel no Líbano. Não contentes em converter cada norte-americano num cúmplice dos crimes de guerra. “Seus” representantes, segundo a Associated Press, também “condenam os inimigos do Estado judeu”.

“Quem são os “inimigos do Estado judeu”?

São os palestinos, cuja terra foi roubada pelo Estado judeu, cujos lares e oliveiras foram destruídos pelo Estado judeu, cujos filhos foram mortos a tiros nas ruas pelo Estado judeu. São palestinos confinados em guetos, que não podem chegar a suas terras de cultivo ou ao atendimento médico, ou a suas escolas, que não podem dirigir por estradas na Palestina que foram construídas só para judeus. São palestinos, cujas antigas cidades foram invadidas por colonos sionistas militantes sob a proteção do exército israelense que bate e persegue os palestinos, expulsando-os de suas localidades. São palestinos que não podem deixar que seus meninos saiam de suas casas, porque serão assassinados pelos colonos israelenses.


Os palestinos que enfrentam o mal israelense são chamados “terroristas.” Quando Bush impôs eleições livres à Palestina, as pessoas votaram pelo Hamas. Hamas é a organização que enfrentou o Estado judeu. Significa, evidentemente, que Hamas é mau, antisemita, anti-norte-americano e terrorista. E.U.A. e Israel reagiram cortando todos os fundos do novo governo. A democracia só é permitida se produzir os resultados desejados por Bush e Israel.

Os israelenses nunca praticam o terror. Só os que se opõem a Israel é que são terroristas.

Outro inimigo do Estado judeu é o Hezbolá. Hezbolá é uma milícia de muçulmanos xiitas, criada em 1982, quando Israel invadiu o Líbano pela primeira vez. Durante essa invasão o Estado judeu, tão moralista, organizou o assassinato de refugiados em campos de refugiados. O resultado das atrocidades de Israel foi o Hezbolá, que combateu o exército israelense, derrotou-o e o expulsou, de modo humilhante, para fora do Líbano. Atualmente o Hezbolá não só defende o sul de Líbano, mas também fornece serviços sociais como orfanatos e atendimento médico.

Para facilitar a caça, os inimigos do Estado judeu são todos os países muçulmanos que não estão governados por um fantoche norte-americano, amigo de Israel. O Egito, a Jordânia, a Arábia Saudita e os emirados petroleiros se colocaram ao lado de Israel contra sua própria gente, porque dependem do dinheiro norte-americano ou da proteção norte americana contra seu próprio povo. Cedo ou tarde, esses governos totalmente corruptos, que não representam o povo que governam, serão derrubados. É apenas uma questão de tempo.

É bem possível que Bush e Israel não façam outra coisa que acelerar o processo em seu esforço frenético por derrubar os governos da Síria e do Irã. Ambos os governos têm mais apoio popular do que Bush, mas o louco da Casa Branca não sabe. O louco pensa que a Síria e o Irã serão conquistas fáceis” como o Iraque, onde dez orgulhosas divisões do exército dos EUA estão bloqueadas por uns poucos insurgentes com armas leves.

Se você ainda continua sendo um norte-americano orgulhoso, considera que com seu orgulho não um favor a Israel e nem aos E.UA.

No dia 20 de julho quando “sua” Câmara de Representantes, depois do “Senado dos E.UA., aprovaram a resolução de apoio aos crimes de guerra de Israel, o grupo mais organizado e poderoso em Washington, o Comitê Norte-Americano-Israelense de Assuntos Públicos (AIPAC) publicou rapidamente um comunicado de imprensa no qual proclama: “O povo norte-americano dá um apoio total à guerra “contra o terrorismo [de Israel] e compreende que devemos estar junto ao nosso melhor aliado neste tempo de crise”.

A verdade é que Israel criou a crise, ao invadir um país com um governo pró-americano. A verdade é que o povo americano não apóia os crimes de guerra de Israel, como deixaram em claro os resultados da sondagem rápida de CNN, mediante chamados a C-Span.

Apesar da visão israelense nas notícias fornecidas pela “informação” dos E.U.A., a maioria dos norte-americanos não aprova as atrocidades israelenses contra civis libaneses. O Hezbolá está situado no sul do Líbano. Se Israel está atacando o Hezbolá, por que caem bombas israelenses sobre o norte de Líbano? Por que caem sobre Beirute? Por que caem sobre aeroportos civis, sobre escolas e hospitais?

Agora chegamos ao ponto principal. Quando o Senado e a Câmara de Representantes dos E.U.A. aprovam resoluções em apoio aos crimes de guerra de Israel e condenam os que resistem à agressão israelense, o Senado e a Câmara confirmam a propaganda de Osama Bin Laden de que os E.U.A. apóiam Israel contra o mundo árabe e muçulmano.

Sem dúvida alguma Israel, com uma das maiores rendas per capita do mundo, é o maior receptor de ajuda externa dos E.U.A. Muitos acreditam que grande parte desta “ajuda” volta para a AIPAC, que a utiliza para eleger “nossos” representantes no Congresso.

Esta percepção não favorece Israel, cuja população diminui já que os mais inteligentes prevêem o que sobrevirá e partem. Israel está rodeado de centenas de milhões de muçulmanos que se transformam em inimigos de Israel pelas ações e políticas desumanas desse país.

No mundo muçulmano sempre tiveram a esperança de que os E.U.A. interviriam a favor de um compromisso e fariam com que Israel compreendesse que não pode roubar a Palestina e transformar todos os palestinos em refugiados.

Foi a esperança do mundo árabe. Por isso não derrubaram nossos fantoches. Graças a esta esperança os E.U.A. continua gozando de certo prestígio no mundo árabe. A resolução da Câmara de Representante, comprada e paga com o dinheiro de AIPAC, é o último prego no caixão do prestígio norte americano no Oriente Médio. Mostra que os E.U.A. é, definitivamente, o fantoche de Israel, como diz Osama Bin Laden e de acordo com a maioria dos muçulmanos.

Com o desaparecimento da esperança e da diplomacia, no futuro a única coisa que restará para os E.U.A. e Israel serão suas garras e seus dentes. O tão engrandecido exército israelense não pôde derrotar uma milícia maltrapilha no sul de Líbano. O tão envaidecido exército de E.U.A. não pôde derrotar uma revolta esfarrapada com armas leves, surgida de uma minoria da população em Iraque, insurgentes que, ademais, estão envolvidos antes de tudo numa guerra civil contra a maioria xiita.

O que farão os EUA e seu titereiro? Ambos estão cheios de arrogância e paranóia, para admitir seus terríveis erros. Israel e os EUA destruirão do ar a infra-estrutura do Líbano, Palestina, Síria e do Irã, para que a vida civilizada se torne impossível para os muçulmanos. Os EUA e Israel utilizarão armas nucleares para intimidar os muçulmanos a fim de conseguir que eles se ajustem aos desejos de Israel.

O genocídio de muçulmanos de uma ou outra forma é o objetivo declarado dos neoconservadores que controlam totalmente o governo Bush. O padrinho neoconservador Norman Podhoretz propugnou a Quarta Guerra Mundial (no pensamento neoconservador, a Terceira foi a guerra fria) para derrotar o Islã no Oriente Médio, desarraigar a religião islâmica e convertê-la num ritual laico formalizado.

O Pentágono neoconservador de Rumsfeld preparou uma nova doutrina bélica dos E.U.A. que permite o ataque nuclear preventivo contra estados não-nucleares. O neoconservador David Horowitz diz que ao massacrar civis palestinos e libaneses “Israel faz o trabalho do resto do mundo civilizado,” equiparando assim os criminosos de guerras com seres civilizados.

O neoconservador Larry Kudlow diz que “Israel faz o trabalho do Senhor” ao assassinar libaneses, uma afirmação que deveria dar o que pensar aos partidários evangélicos cristãos de Israel. Onde diz o Senhor: “vá e assassine seus próximos para poder roubar suas terras”? A história condenará eternamente os EUA pela cumplicidade do público norte-americano com estes crimes assombrosos.

Paul Craig Roberts

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