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quarta-feira, julho 26, 2006

Bronca a bronca


Desta vez foram os exames nacionais.

Eu faço ideia do que sucederia se os exames fossem elaborados por uma instituição privada: seria condenada ao fogo mediático da incompetência, demissões e fim à vista. Mas, tratando-se do Estado, nem uma demissão, nem uma acusação de incompetência, ninguém, a não ser a Ministra – que, evidentemente, não deverá ter qualquer controle sobre a elaboração de exames –, é chamado à responsabilidade e processado.

A ministra pode servir de bode expiatório, mas nada mais do que isso. Quando a Educação mudar de ministro – se lá chegar – tudo continuará na mesma.

É curiosa – e perigosa – a confiança cega que as pessoas depositam no Estado, aturando aos seus responsáveis todas as incompetências e alarvidades, que nem por sombra tolerariam à iniciativa privada. É como se, pelo facto de alguém trabalhar no Estado, isso o elevasse a um estado de beatitude inquestionável. Talvez seja por haver só um Estado.

Isto já para não lembrar que se esta bronca tivesse acontecido há dois anos atrás daria para derrubar três governos do Dr. Santana Lopes.

Enfim, é a moral do sistema no seu melhor: dois pesos e duas medidas. A gravidade dos acontecimentos não está nos acontecimentos, mas sim em quem é o responsável.

É evidente que isto tem tudo a ver com os lugares comuns do pensamento político caseiro, com a esquerda e com a direita parlamentar, que eu, combatendo ambas, resumo da seguinte forma: a esquerda tem a direita que criou; a direita tem a esquerda que merece.

Sendo assim, a melhor maneira de fazer esquecer esta bronca é arranjar imediatamente outra.

Manuel Brás

Retirado do Democracia Liberal.

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