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domingo, julho 09, 2006

Retratos da doutrinação

Segue o texto de um professor agredido pelos alunos simplesmente por tentar ensinar - era aula de filosofia - noções de ética e filosofia grega numa escola de tendência confessadamente relativista. É um belo retrato do que se passa no Brasil. O texto foi postado na comunidade Escola Sem Partido do Orkut. Ao final, em itálico, o comentário que fiz por lá.

"À Direção Geral do Colégio de Aplicação da UFRJ.

Eu, Francisco Peçanha Neves, professor de Filosofia deste Colégio, venho informar, para o pleno conhecimento da referida instância acadêmica a que estou subordinado, sobre os agravos que tenho sofrido, desde que iniciei aqui meu trabalho, em março do ano corrente, sem que encontrasse a devida reparação, ou ao menos uma enérgica reprimenda que tivesse eficácia contra meus agressores, a saber: a maciça maioria dos alunos da 3a série do Ensino Médio.

Tenho experimentado uma hostilidade renitente e crescente por parte dos referidos alunos, que, não encontrando quaisquer limites efetivos para a expansão de sua animosidade, não receiam ou vacilam em expressá-la mediante toda sorte de atos abjetos e de uma maldade tão baixa e sem medida que seria de se esperar, por parte das instâncias competentes deste Colégio, uma atitude, se não de punição resoluta, ao menos de grave reflexão sobre: “Que ventre produziu tão feio parto?!”. Ao contrário, muito pelo contrário, o que tenho visto é a total leniência diante de atos mais do que deploráveis, chegando estes a ganhar até ares de normalidade pela sua freqüência com respeito à minha pessoa.

Atos como os que eu poderia a assinalar, dentre outros – a fim de que a ciência dos mesmos pudesse converter-se em medidas de consciência elementarmente recomendáveis por qualquer código moral civilizatório minimamente respeitável –, tais como os insultos recorrentes e o escárnio generalizado, ademais de outros motivos, pelo fato notório – desnecessariamente notório – de eu ser temporário em minha função. Destratos estes que não tardaram muito em concretizar-se em agressão física, como na oportunidade em que fui cercado, na rampa de acesso ao pátio, por alunos de quase duas turmas inteiras, impedindo-me a passagem, entoando cânticos de escárnio, até derramarem uma garrafa de água sobre minha cabeça.

Quando seria de se esperar reação à altura de tal ofensa, os referidos alunos nada receberam além de uma simples conversa; o que soa, para mentalidades como as suas, quando mereciam ser castigados, soa como licença tácita para a renovação de suas torpezas. E isso, com efeito, era o que eu constatava a cada vez que entrava em sala de aula, sendo recebido por desenhos e escritos de deboche no quadro negro; os quais culminaram com a desavergonhada efetuação, diante dos meus olhos, de inscrições e desenhos nazistas com o fim de insultar-me – fato ocorrido em minha última aula para a turma 23B.

Foi, de resto, com a mesma confiança desavergonhada que o aluno Guilherme Güttler Costa da turma 23C chegou à ousadia de escrever-me ameaças, claras e inequívocas, em uma prova, no dia 18 de agosto. Novamente, tive a confirmação de que, contra mim, tudo era permitido, pois nada, rigorosamente nada foi feito, após eu dar ciência do fato à Direção Adjunta de Ensino.

Após tal gênero de vilania, só se poderia esperar por algo ainda pior. E foi o que sucedeu na última quarta-feira, dia 28 de setembro. Enquanto eu cumpria minha obrigação, na sala da turma 23C, ouvia fortes batidas na minha porta, vindo do corredor. Primeiramente, ignorei. Na segunda vez, abri a porta e vi os alunos da turma 23A no corredor, como a esperar acontecimentos... Na terceira vez, abri de imediato a porta e vi o aluno Gabriel Souza Zelesco, da turma 23C correr em disparada. Fui atrás e protestei com a veemência que a hora exigia – e por saber que não outro, senão apenas eu mesmo, me defenderia em qualquer agressão, como aquela, que sofresse neste Colégio. Voltei à sala para concluir o meu dever, e ainda outra vez experimentei outra provocação, vinda de um aluno do corredor que, de maneira cínica, empurrou a porta.

A seguir, tendo reportado os acontecimentos à DAE, acompanhei a Profa Sandra para uma conversa com as turmas, quando fomos abordados, no caminho para o pátio, pelos alunos Arthur dos Santos Mello e Frederico Delgado Lima, ambos da turma 23A. Astuciosamente, aproveitando a situação conflitiva, aproximaram-se dizendo, de maneira caluniosa, que eu proferira palavras de baixo calão para o referido aluno Gabriel. Diante de meu indignado protesto, o aluno Frederico, não satisfeito em insultar-me, ainda desafiou-me para o pugilato.
É desnecessário mencionar os itens das Normas de Convivência do Colégio infringidos em todos esses e outros fatos que aqui vivenciei. E tampouco deveria ser preciso lembrar que as medidas disciplinares variam “de acordo com a faixa etária, gravidade e/ou reincidência” – seria de se esperar que variassem conforme uma escala ascendente...

Resta apenas, de minha parte, na ausência de qualquer alternativa, deixar aqui uma palavra, na forma de contribuição para uma possível e urgente reflexão acerca desses acontecimentos deploráveis.
É certo que a hostilidade cerrada a mim dedicada pelos alunos será atribuída a defeitos de meu temperamento. Porém, sem excluir o que nele possa encontrar-se de aversivo, afirmo peremptoriamente ser a causa de tal problema bem anterior a mim. Como disse uma estimada aluna da 2a série, eu não posso dizer no CAp as coisas que costumo dizer.

Venho trazer àqui informações e reflexões que estão, muitas vezes, a contrapelo das convicções semeadas nas consciências dos alunos, desde há muito em sua formação. Faço aqui a constatação reiterada – confirmada pelos licenciandos que me acompanham – de como é difícil aos alunos absorverem certas noções – cruciais várias delas – em virtude dos esquemas mentais, das crenças inveteradas de caráter relativista e horizontalizante, cristalizados em suas caixas cranianas, e cuja nota dominante é a consideração do político e do social como as esferas supremas e limítrofes da realidade.

Com isso que digo não quero sugerir ser eu portador de originalidades, de concepções revolucionárias, etc. O que tenho feito nada mais é do que expor as vetustas – e essenciais – doutrinas metafísicas e éticas da espiritualidade grega tradicional. Porém, tudo o que é dito por tais doutrinas soa evidentemente mal aos ouvidos de alunos inoculados por doses cavalares de pensamentos marxistas e semelhantes convicções socializantes. O efeito anestesiador, em relação às influências transcendentes de qualquer sorte, de tais idéias sobre as consciências deles, e sobretudo da mentalidade “politicamente correta” cultivada em todo o Colégio, torna dificílimo um ensino filosófico que não se rebaixe a fórmulas demagógicas e a trivialidades adornadas ao gosto do dia. É inevitável, em tais condições, as milenares mensagens de sabedoria serem recebidas como ideologias ultrapassada, e seus portadores, como reacionários empedernidos com quem não cabe contemplações.

“As idéias têm conseqüências”, dizia um escritor. Convém, pois, entender o que tem passado, na relação dos alunos para comigo, por uma perspectiva mais apropriada e penetrante.

Desde quando um sujeito classifica as pessoas por prismas ideológicos, e descrê de qualquer moralidade que transborde esses prismas primários, a conseqüência mais do que provável – ou até lógica – é o adversário se converter em inimigo; e inimigo contra quem todas as torpezas são permitidas, uma vez transformadas em exercícios de justiça, ou até mesmo em gestos de heroísmo.

No entanto, a palavra final que eu gostaria de deixar não seria minha, mas do mestre de todos nós, professores de Filosofia, o divino Platão – que sabia algo sobre como educar um homem... Dizia ele dever a educação ser baseada na música e na ginástica, o que para nós deve soar, dentre outras coisas, como o cultivo da espontaneidade e do regramento. Uma sem a outra leva inevitavelmente ao abastardamento. E ambas juntas conduzem ao alto.



Atenciosamente,

Francisco Peçanha Neves.
Prof o de Filosofia do CAp UFRJ."



Meu comentário: Quem disse por aí que um professor não seria agredido pelos alunos simplesmente por manifestar sua opinião está redondamente enganado.


Os adeptos do marxismo, do relativismo e do ceticismo, que dominam hoje as universidades e escolas, estão preparados para absolutamente tudo. "Raciocionam" através de cacoetes língüisticos, nada mais. São a vivificação da novilíngua orwelliana. São cãezinhos adestrados. A maior prova disso é chamarem qualquer um que não seja de esquerda, principalmente liberais, de fascistas, sendo o liberalismo o exato oposto do fascismo.


Casos assim, como o desse professor, ocorrem diariamente. Pesquisem no google um caso que ficou famoso: Pedro Sette Câmara, PUC-Rio. O rapaz escreveu num jornal estudantil que, antes de serem escravizadas pelos portugueses, as tribos de negros africanos escravizavam-se a si mesmas - fato histórico amplamente comprovado. Bandos enfurecidos cercaram-lhe, deram-lhe tapas e cuspiram-lhe na cara, roubaram e queimaram os exemplares do jornal, sob acusão de "fascismo racista". Acionado pela vítima, o reitor ficou ao lado dos culpados e suspendou a vítima. Acontece, e por essa eles não esperavam, que Pedro conhecia um filósofo e jornalista famoso que jogou o caso na mídia, arruinando o reitor. [A história toda está em O Imbecil Coletivo - o filósofo e jornalista é Olavo de Carvalho. Há vários artigos de Olavo sobre, artigos de várias outras pessoas e - o melhor - as cartas que Olavo enviou ao reitor, que são uma aula de como humilhar alguém e provocam crises de riso insenssante]


Vejam bem: agressões físicas, cusparadas, roubo dos jornais que tinham sido impressos por ele e eram dele.


A acusação de racismo era tão verossímel, que o caso ficou famoso no Brasil inteiro mas ninguém - ninguém - fez queixa de racismo, e mesmo esquerdistas como Carlos Heitor Cony sairam em defesa de Pedro.


Casos assim os há aos milhares. Essa é a democracia politicamente correta, esse é o produto de 40 anos de doutrinação, esse é o "pluralismo" da esquerda.

Créditos: Eduardo Levy.