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terça-feira, agosto 08, 2006

A força inesperada dos extremistas

Israel está a aprender uma dura lição, e ela serve igualmente para outros países, e Governos, que preferem o apaziguamento e a negociação com grupos extremistas, sem pátria mas com fortes ligações, que estão agora a entrar numa nova e mais perigosa fase, dadas as suas capacidades destrutivas.

Pela primeira vez na História, um grupo de radicais afronta, diariamente, o mais poderoso e organizado exército do Médio Oriente, que sempre descansou na fama de ter destruído, ao mesmo tempo, e em várias frentes, as forças armadas de vários países coligados. Esse é o primeiro problema.

Os israelitas, mesmo com umas Forças de Defesa excepcionalmente bem estruturadas e organizadas, e com os mais modernos meios de combate, comprados e fabricados ou adaptados no país, estão a enfrentar, sem remédio eficaz, um grupo de guerrilha que lança diariamente centenas de pequenos mísseis contra as suas cidades, num claro desafio ao poder terrestre, aéreo e marítimo do Estado judaico.

É óbvio que seria para Israel mais fácil enfrentar um exército organizado, numa batalha aberta, como já aconteceu, e com sucessos extraordinários, mas este tipo de luta, onde os guerrilheiros do Hezbollah atacam em pequenos grupos, com uma grande capacidade de mobilidade e meios facilmente deslocáveis, não estava nos códigos de aprendizagem dos israelitas, que sempre acreditaram que resolveriam estes problemas com alguma demonstração de força, e em poucos dias.

Não é o caso, e esta lição está a custar muito às forças armadas de Israel, e de uma forma que dói: a sua imagem de força preparada para qualquer operação já não corresponde à realidade. A credibilidade ainda está intacta, bem como a sua mítica invencibilidade, mas não deixa de desgastar muito, e violentamente, que todo aquele poder militar, visível nas imagens da televisão, não consiga impedir que os rockets continuem a cair nas cidades de Israel, causando vítimas inocentes em civis desarmados.

Pior: os combates terrestres têm demonstrado que há uma nova postura, ou crença, dos membros do Hezbollah, que, embora em número muito reduzido, combatem ferozmente e até à morte, o que surpreende a força opositora.

Surpreende e obriga a um "trabalho" contínuo de destruição caso a caso, sem grandes avanços nem vitórias elementares.

Israel está agora a perceber que tem de mudar alguma coisa na sua estratégia para enfrentar este tipo de ameaça, e as outras mais convencionais, e acima de tudo impedir, ou prevenir, em tempo útil, que grupos extremistas se organizem, treinem e armem durante anos, no quintal do "vizinho".

Também parece claro, e indiscutível, desta vez, que há países que continuam a apostar na destruição da nossa civilização e religião, por todos os meios, mesmo que interpostos. Para o Irão e a Síria - no primeiro caso esta situação até dá mais tempo para continuar o programa nuclear -, alguns grupos radicais, que eles alimentam, financiam e armam, são verdadeiros cordeiros sacrificiais que desgastam o "inimigo" e testam, a cada momento, o seu poder de retaliação.

Em vez desta luta inglória, Israel bem gostaria de trocar o Hezbollah pelos exércitos da Síria e do Irão, porque aí, nesse campo de guerra aberta e tradicional, mesmo que com armas que já nada têm de convencional, a sua destruição estaria assegurada, e de forma rápida e limpa.

Pensa-se, agora, que a melhor forma de resolver a actual situação é colocar uma força multinacional entre Israel e uma faixa do Líbano, mas só por ironia é que isto será uma solução de futuro. Com ou sem capacetes-azuis, Israel já percebeu que existe uma nova ameaça, armada até aos dentes e disposta a tudo, com a qual terá de lidar em permanência e a qualquer momento. Só por ingenuidade é que se pode aceitar que uma faixa de 15 ou 20 quilómetros vai atenuar o perigo colocado pelo Hezbollah, quando já se entendeu que eles estão ou estarão armados com mísseis que poderão atingir todo o território israelita. É, necessariamente, uma ideia de Verão, daquelas que só servem para apaziguar as consciências dos nossos países.

Tudo o que agora for feito para manter intacta a estrutura formal e informal do Hezbollah, e as suas fontes de ajuda, é uma cedência ao extremismo, que um dia pagaremos pesadamente. O Hezbollah não é um país soberano, ou um Governo legítimo, ou uma força formal, mas um grupo extremista, fanático, poderosamente armado, e disposto a tudo para fazer triunfar a sua "guerra santa", que é a nossa destruição. Cuidado, por isso.

Luís Delgado

Retirado do Diário de Notícias, 07 de Agosto de 2006.

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